terça-feira, 6 de outubro de 2015

Sem "mas, Mas, MAS...": Aquele que nunca tenha cometido algum pecado, que atire a primeira pedra.

Resgate o controle da sua vida (adaptação/resumo do livro do Augusto Cury)

Nossa espécie tem o privilégio de ser uma espécie pensante entre milhões de espécies na natureza, mas, infelizmente, ela nunca honrou adequadamente a arte de pensar. As discriminações que sempre mancaram nossa história são um testemunho evidente de que não honramos essa fascinante arte.


Talvez você nunca tenha ouvido falar sobre isso, mas se apaixonar pela vida e pela espécie humana são condições fundamentais para se ter alta qualidade de vida e sabedoria.


Por favor, lembre-se sempre disto:
1-a vida que pulsa dentro de nós, independente de nossos erros, acertos, status e cultura é uma jóia única no teatro da existência;
2-cada ser humano é um mundo a ser explorado, uma história a ser compreendida, um solo a ser cultivado.


Um "eu" doente, sem estrutura e maturidade é indeciso, inseguro, instável, impulsivo, ansioso, escravo dos pensamentos e das emoções destrutivas. Mesmo intelectuais, executivos e líderes sociais podem ter um "eu" doente ou imaturo.


Pensar é transformar-se. O problema é que podemos mudar para pior. Devido ao volume de idéias perturbadoras, muitas pessoas deixam, pouco a pouco, de serem alegres, livres, motivadas, singelas, ousadas. Em qualquer época da vida, podemos adoecer se não trabalharmos nossas perdas,decepções, crises.


Milhões de pessoas nunca aprenderam que podem e devem gerenciar seus pensamentos e emoções. Como serão líderes de si mesmas se não se conhecem minimamente? Como evitar que tenham transtornos psíquicos se não têm ferramentas para se defender ou se resolver?


Muitos investem toda a sua energia na sua empresa ou na sua profissão. Tornam-se máquinas de trabalhar (workaholic).  Não investem na sua tranqüilidade e no seu prazer de viver nem nas suas relações. São admirados socialmente, mas têm péssima qualidade de vida. Empobreceram no único lugar onde não podemos ser miseráveis: na nossa mente. São ansiosos, irritados, inquietos, insatisfeitos. A maioria deles promete para si que corrigirá seus caminhos, mas nunca os corrige. Por fim, alguns morrerão e se tomarão os mais ricos e bem sucedidos de um cemitério. Triste história!


Jesus viveu intensamente a primeira lei da qualidade de vida. Compreendeu como nenhum outro pensador da história a excelência da vida. Cada ser humano, independente dos seus erros, era para ele uma jóia.
Teriam tantas chances quantas fossem necessárias. Mesmo sendo frustrado pelas pessoas, jamais desistiu delas. Ele cria que valia a pena investir em cada ser humano, ainda que a sociedade quisesse eliminá-Lo como lixo social. 


Milhares de judeus eram lúcidos e sensíveis. Eles amavam profundamente a Jesus. Mas havia um grupo de líderes, os fariseus, que o odiavam, tinham aversão pelo seu comportamento afetivo e tolerância. Como Jesus era socialmente admirado, eles precisavam ter um forte álibi para condená-lo sem causar uma revolta social.


Depois de maquinar, prepararam uma armadilha psíquica quase insolúvel: Pegaram uma mulher que foi pega em flagrante adultério. Eles arrastaram-na para um lugar aberto, para o Iocal onde o Mestre dos mestres ensinava uma grande multidão. Interromperam abruptamente a sua aula. Colocaram a mulher toda esfolada no centro da sua classe ambiental.  Sob os olhares espantados dos presentes, eles proclamaram altissonante que ela fora pega em adultério e, segundo a lei, teria de morrer. Sutilmente, olharam para Jesus e fizeram-lhe uma pergunta fatal: "Qual seria o seu veredicto?".


Nunca haviam pedido para Jesus decidir qualquer questão, mas fizeram essa pergunta para incitar a multidão contra ele e para que, assim, ele fosse apedrejado junto com ela. Sabiam que ele discursava sobre a compaixão e o perdão como nenhum poeta jamais discursara. Se ele se colocasse ao lado dela, teriam como justificar a sua morte. Se condenasse a mulher, iria contra si mesmo, contra a fonte do amor sobre a qual discursava. A multidão ficou paralisada.


O que você faria se estivesse sob a mira de um revólver? Ou, então, que atitude tomaria se fosse despedido subitamente? Que reação teria se alguém que você ama muito lhe causasse a maior decepção da sua vida? Que comportamento teria se tudo o que você mais valoriza estivesse por um fio, corresse o risco de ser perdido subitamente?


O Mestre dos mestres da qualidade de vida estava sob o fio da navalha. O drama da morte o rondava e, o que era pior, poderia destruir todo seu projeto de vida. Os seus opositores estavam completamente dominados pela raiva. A qualquer momento, as pedras seriam atiradas, as cenas de terror se iniciariam. Foi nesse clima irracional que Jesus foi cobrado para dar uma resposta. Todos estavam impacientes, agitados, esperando suas palavras. Mas a resposta não veio... 

Nunca se esqueça disso. Seus maiores erros não foram cometidos enquanto você navegava nas calmas águas da emoção, mas enquanto atravessava os vales da ansiedade. São nesses momentos que dizemos palavras que nunca deveriam ter sido ditas.
 

Jesus voltou-se para dentro de si, dominou sua tensão, preservou-se do medo, abriu as janelas da sua memória e resgatou a liderança do "eu". Pelo fato de ter resgatado a liderança do "eu", teve uma atitude inesperada naquele clima aterrorizante: começou a escrever na areia. Era de se esperar tudo, menos esse comportamento. Seus opositores ficaram perplexos.


Somente alguém que sabe ter domínio próprio e fazer escolhas é capaz de encontrar um lugar de descanso no centro de uma guerra. 
Seus gestos desarmaram seus inimigos. O foco de tensão foi pouco a pouco dissipado. Eles começaram a sair da esfera instintiva, do desejo de matar, para a esfera da razão. Desse modo, como um artesão da inteligência, o Mestre dos mestres preparou o terreno da inteligência deles para um golpe fatal. Golpeou-os com uma lucidez impressionante.  Disse-lhes: "Aquele que dentre vós estiver sem pecado (erros, falhas, injustiças) seja o primeiro que lhe atire pedra!". Ele teve uma coragem inusitada ao dizer essa frase. Ela poderia ter sido apedrejada na sua frente repentinamente. Mas ele só fez isso após debelar o foco de tensão emociona! deles.


Eles ficaram pasmados. Ele os autorizou a atirar pedra nela, mas mudou a base do julgamento. Teriam de pensar antes de reagir. Teriam de avaliar a história deles para depois julgá-la. Jesus fez uma engenharia intelectual que eles não perceberam, pois envolveu processos inconscientes.



Ao olhar para o espelho da sua alma para depois condenar a mulher, eles exerceram uma das mais importantes funções da inteligência: colocar-se no lugar dos outros. Assim, mergulharam para dentro de si, viram suas fragilidades, reconheceram sua injustiça. Dominaram temporariamente sua agressividade, saíram de cena, não a mataram. Atitudes como essas revelam uma face desconhecida de Jesus Cristo. Ele não apenas foi o Mestre dos mestres da qualidade de vida, mas também o maior promotor de saúde mental de que se tem conhecimento.

 
Painel I  - Reflita sobre os seguintes pontos: (Não tenha medo de trocar de experiências, e contar suas dificuldades)


1. A vida é uma jóia única. Você tem investido em qualidade de vida ou tem sido uma máquina de trabalhar? Qual o valor real que você dá para sua vida e para as pessoas que ama?

2. Toda discriminação é desinteligente, Você sentiu ou se sente inferior às pessoas?

3. Resgatar a liderança do "eu" é tomar decisões conscientes.  O que mais a perturba hoje? Que decisões você tem adiado na sua vida?

4. Um "eu" frágil não tem metas, objetivos, não intervém dentro de si mesmo, perpetua suas misérias psíquicas, Você é irritado e ansioso? É impulsivo e intolerante? Cobra demais de si mesma? Cobra excessivamente das pessoas? Que características de sua personalidade você deseja superar?

5.  O amor era o fundamento da sabedoria de Jesus. Quanto você ama a vida?

6.  Jesus usava o silêncio para pensar antes de reagir e resgatar a liderança do "eu", Você usa o silêncio nas situações tensas? Você consegue ter domínio próprio e surpreender seus colegas de trabalho e seus familiares quando eles o decepcionam?
 


Painel II  - Exercícios para praticar
 
1. Quais dessas características você precisa desenvolver?
( ) Ser capaz de reconhecer a grandeza da vida e da história fascinante que cada ser humano possui inscrita em sua memória.
( ) Ser capaz de construir e seguir metas claras. Não ter uma vida sem direção.
( ) Ser capaz de fazer escolhas para atingir suas metas. Ter consciência de que toda escolha implica em perdas e não apenas em ganhos.
( ) Ser capaz de tomar decisões e corrigir rotas sociais, profissionais e afetivas.
( ) Ser capaz de reconhecer seus limites, falhas, atitudes incoerentes. Reconhecer suas doenças psíquicas. Ter consciência de que o pior doente é aquele que nega a sua doença.
( ) Ser capaz de não desistir da vida, mesmo diante das perdas, dificuldades, decepções. Acreditar sempre na vida.
( ) Ser capaz de ser transparente. Não se esconder atrás do sorriso maquiado, posição social, conta bancária.
( ) Ser capaz de ter domínio próprio. Não ser controlado pelo ambiente, circunstâncias e conflitos internos.
( ) Ser capaz de liderar a si mesmo, antes de liderar o mundo de fora.
 
2. Faça uma lista das decisões que você tem adiado e que precisam ser tomadas.

3. Treine aprender a pensar antes de reagir. Treine usar a ferramenta do silêncio nos focos de tensão.

4. Todo ser humano, quando constrói um pensamento, é um grande artista, ainda que viva no anonimato. Jamais se sinta inferior às pessoas.
5. Nunca desista das pessoas que você ama e nunca desista de si mesmo.

6. Não seja escravo dos seus conflitos. Tenha uma personalidade lúcida e crítica, que sabe o que quer.

7. Enfrente com dignidade suas dores, dificuldades, angústias, humor triste, pensamentos negativos. Não tenha medo de suas mazelas psíquicas; mas, sim, receio de ser omisso, de não ser autor da sua história.





 

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