segunda-feira, 25 de julho de 2011

A insanidade da Onda do Politicamente Correto

 
O CRAVO NÃO BRIGOU COM A ROSA
Texto de Luiz Antônio Simas
 
Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto. Soube
dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais O cravo
brigou com a rosa. A explicação da professora do filho de um camarada foi
comovente: a briga entre o cravo - o homem - e a rosa - a mulher - estimula
a violência entre os casais. Na nova letra "o cravo encontrou a rosa/
debaixo de uma sacada/o cra vo ficou feliz /e a rosa ficou encantada".
Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da
Penha. Será que esses doidos sabem que O cravo brigou com a rosa faz parte
de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos
no folclore brasileiro? É Villa Lobos, cacete!
Outra música infantil que mudou de letra foi Samba Lelê. Na versão da minha
infância o negócio era o seguinte: Samba Lelê tá doente/ Tá com a cabeça
quebrada/ Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas.
A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a menina Lelê. A
tia do maternal agora ensina assim: Samba Lelê tá doente/ Com uma febre
malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar.
Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar
nunca. Os amigos sabem de quem é Samba Lelê? Villa Lobos de novo. Podiam
até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, de Heitor Villa Lobos e
Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz.
Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que a música
desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichinhos. Quem entra na roda
dança, nos dias atuais, não pode mais ter sete namorados para se casar com
um. Sete namorados é coisa de menina fácil. Ninguém mais é pobre ou rico de
marré-de-si, para não despertar na garotada o sentido da desigualdade social
entre os homens.
Dia desses alguém [não me lembro exatamente quem se saiu com essa e não
procurei a referência no meu babalorixá virtual, Pai Google da Aruanda] foi
espinafrado porque disse que ecologia era, nos anos setenta, coisa de viado.
Qual é o problema da frase? Ecologia, de fato, era vista como coisa de
viado. Eu imagino se meu avô, com a alma de cangaceiro que possuía,
s oubesse, em mil novecentos e setenta e poucos, que algum filho estava
militando na causa da preservação do mico leão dourado, em defesa das
bromélias ou coisa que o valha. Bicha louca, diria o velho.
Vivemos tempos de não me toques que eu magôo. Quer dizer que ninguém mais
pode usar a expressão coisa de viado ? Que me desculpem os paladinos da
cartilha da correção, mas isso é uma tremenda babaquice. O politicamente
correto é a sepultura do bom humor, da criatividade, da boa sacanagem. A
expressão coisa de viado não é, nem a pau (sem duplo sentido), ofensa a
bicha alguma.
Daqui a pouco só chamaremos o anão - o popular pintor de roda-pé ou leão de
chácara de baile infantil - de deficiente vertical . O crioulo - vulgo
picolé de asfalto ou bola sete (depende do peso) - só pode ser chamado de
afrodescendente. O branquelo - o famoso branco azedo ou Omo total - é um
cidadão caucasia no desprovido de pigmentação mais evidente. A mulher feia -
aquela que nasceu pelo avesso, a soldado do quinto batalhão de artilharia
pesada, também conhecida como o rascunho do mapa do inferno - é apenas a
dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade. O
gordo - outrora conhecido como rolha de poço, chupeta do Vesúvio, Orca,
baleia assassina e bujão - é o cidadão que está fora do peso ideal. O
magricela não pode ser chamado de morto de fome, pau de virar tripa e Olívia
Palito. O careca não é mais o aeroporto de mosquito, tobogã de piolho e
pouca telha.
Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar o Aleijadinho.
Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboa tinha necessidades
especiais... Não dá. O politicamente correto também gera a morte do apelido,
essa tradição fabulosa do Brasil.
O recente Estatuto do Torcedor quer, com o s olhos gordos na Copa e 2014,
disciplinar as manifestações das torcidas de futebol. Ao invés de mandar o
juiz pra putaqueopariu e o centroavante pereba tomar no olho do cu,
cantaremos nas arquibancadas o allegro da Nona Sinfonia de Beethoven,
entremeado pelo coro de Jesus, alegria dos homens, do velho Bach.
Falei em velho Bach e me lembrei de outra. A velhice não existe mais. O
sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso pé na cova, aquele que
dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cliente do seguro funeral, o popular tá
mais pra lá do que pra cá, já tem motivos para sorrir na beira da
sepultura. A velhice agora é simplesmente a "melhor idade".
Se Deus quiser morreremos, todos, gozando da mais perfeita saúde.
Defuntos? Não. Seremos os inquilinos do condomínio Cidade do pé junto.
 
Abraços
 
Luiz Antônio Simas
(Mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e
professor de História do ensino médio)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A Moça da Batavo....

 
 
Estou eu, em um belo domingo de sol, dia de ir ao Pacaembú, saindo da casa da mamãe para pegar uma coisa qualquer dentro do carro, quando sou abordada por uma senhorinha...Juro que achei que ela iria falar da minha linda camisa do Corinthians...
- Olha, desculpa te atrapalhar, mas é que outro dia liguei pra reclamar (heim??? do Corinthians???) mas disseram que viriam até em casa e até agora nada...
- Mas...
- Liguei umas duas vezes, sabe, e já que você está aqui e trabalha na Batavo (???!!!)...
- Não, minha senhora, esta camisa é do Corinthians, que é patrocinado pela Batavo....
- Ah, você não trabalha lá???
- Não (fofura!!) é só a camisa mesmo...
Ela comentou algo sobre o produto em péssimo estado da Batavo...
Mas eu ria, ria tanto....certamente fez o meu domingo mais divertido.